quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

sou.


O seu ser no meu sou soou bonito e fez o coração mesmo aflito corar
De um vermelho da cor do teu beijo escondido nas escadas do edifício
O vento descansa pra não misturar teu cabelo liso com meu juízo friso
Mas o soprinho da lembrança entrando pela sala encaracola minha memória

Ainda sou porque o seu sou me encontrou e é possível que juntos sejamos
Em qualquer parte há sempre a parte que nos cabe no destino de alguém
Cada um na sua estrada faz a caminhada pertencer ao mesmo caminho
Que se expandirá no meio da jornada, é pertinho e pode ir além.

.C Farias

domingo, 20 de novembro de 2011

o quanto você vale.


Já posso sentir os raios de sol a esquentar meu rosto, queimando a pele e me fazendo suar, posso sentir a brisa do mar soprando contra o meu corpo, posso ver as gramíneas verdinhas que cresceram próximo as rochas cheias de musgos e sal, posso ver tudo o que existe aqui fora. Vejo pessoas indo e vindo, passando por mim sorridentes ou não, vejo as cores em seus olhos, em suas bocas, mãos e cabelos, é muita informação para tão pouco tempo, estou nascendo novamente, é tudo tão diferente do que era a alguns dias atrás, meses talvez.

- É muito bom estar aqui fora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Oi?


- Aqui, do agora, ter ou ser?

- Ter e ser!

- Do querer sem crer, encontrar um ser.

- O quê?

- Um ser!

- Do medo recorrente, um ser agora, pra quê?

- Do querer mais tarde, tempo não ter.

- Mentira!

- Tá, do querer agora, faltar interesse.

- Da brincadeira adiada, faltar o que mais?

- Faltar brilho, faltar novos velhos olhos.

- Da saudade anunciada, faltar o que mais?

- Da saudade encerrada, faltar bochechas rosadas.

- Da mentira começada, não querer mais?

-Não, da dor explorada, não querer mais.

- Do perder, culpa tomar metade do ser, pra quê?

- Do sofrer, precisa um culpado ter.

- Acabou, o que vem a proceder?

- Não saber, deixar correr.

- É seu dever saber!

- Do começo sem fim, do início abortado, dos sorrisos ganhados, uma hora há de ser!

- É, pode crer.

domingo, 16 de outubro de 2011

correu, correu.


- ‘Bom Dia, Bom Dia!’ (com os olhos cansados e aquele sorriso largo estampado)

Sempre achei bonitinha sua mania de repetição, desde o ‘sim, sim’ ao ‘oi, oi’, me lembrava algo infantil, como aquelas crianças que fazem a mesma pergunta centenas de vezes e você não se importa de responder, simplesmente porque o encanto por aquele ser pequeno que está à sua frente é muito maior do que qualquer falta de tempo do dia a dia.

- ‘Não Mais, Não Mais!’ (com o pensamento longe e olhos marejados)

Considerava os seus relacionamentos os mais conturbados possíveis. Amou como um relâmpago, dividindo todo um céu, toda uma vida ao meio, caiu, chorou, não quis mais. Correu, correu, dançou, beijou, transou, brincou e até partiu alguns corações por aí. Apaixonou-se, oi? Sim! Tentou correr, mas não tinha para onde, deixou-se amar, tentou, tentou, não deu, fez alguém chorar. Viveu, viveu, carimbou camas, um ser faminto, ditava regras e não seguia nenhuma sequer, sorriu vazio, cansou das festas, ao acaso encontrou. Encantou-se, desanimou, manteve certo interesse, voltou, apaixonou-se e amou, amou pouco, terminou, amou muito, chorou, chorou, até tentou, emagreceu e ultrapassou todas as regras internas, acreditou em algo maior, perdeu, falhou. Viu-se no espelho, sorriu, não quis chorar, ‘não mais’, quer amar, amar com todas as conseqüências que possam vir. Considerava justa toda forma de amor.

-‘Acordou.’

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

contabilizando erros.


Aqui estou mais uma vez vasculhando a memória, procurando meus momentos de falha, de pobreza de espírito, fraqueza, e olha, não foram poucos! Contabilizo cada um em uma espécie de cardeneta mental onde o título diz “Não Mais”, e a guardei bem pertinho do famoso juízo, pois espero que esse me ajude a não esquecê-la em qualquer mesinha por aí, afinal sou muito esquecido e repito isso todos os dias ao perceber minhas perdas, desde chaves e canetas à pessoas!

-Ah, como sou esquecido.

E o que me sobrou?
Me sobrou tanta coisa, tantas memórias, tantos sorrisos, blusas de frio perfumadas, um porta-retrato com uma foto congelada, sobrou seus olhos, cabelo, mãos, boca, sobrou você aqui em mim, sobrou sentimento nesse quarto. Me faltou tão pouco, era tão pouquinho o que faltava, mas tão grande em significância, era consideração, companheirismo, amizade... um pouquinho mais de cada um, poucas gotas talvez. Ah como dói, ah como me desidrata os olhos. Me pergunto onde erramos, onde soltei sua mão, vasculho a memória para achar o momento exato em que deixei seus dedos escorregarem, ah seu eu pudesse, ah seu eu pudesse segurar firme, ah se eu pudesse não me machucar com suas palavras, ah se eu pudesse não me magoar a cada gesto impensado seu. E agora o respeito se quebra em inúmeros pedaços como se fosse um espelho qualquer, de um banheiro qualquer; chega de ofensas meu amor, não precisamos delas, foi lindo. Agora vamos descansar, vamos nos poupar, posso ficar aqui até você conseguir dormir?

Cuidarei dos meus sonhos, cuide dos seus também.

terça-feira, 11 de outubro de 2011


"Então não o ama mais?
- Amo. Só guardei isso num cofre. E tranquei. E esqueci a senha.
Não porque quis. Foi preciso."

.Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

para nunca mais te deixar.



Ontem acordei, escovei os dentes e bebi aquele café forte e doce. Ontem, andei pela casa procurando algo que eu desconhecia, algo que minha memória falha insistia para que eu procurasse, dizia pausadamente e imponente que eu deveria encontrar. Passei algumas horas perambulando por estes pequenos cômodos e delgados corredores e escutei uma voz, uma voz fraquinha e trêmula que me chamava pelo nome e demonstrava certa felicidade ingênua ao me ver. Eu o vi, a princípio não o reconheci devido tamanha deformação que havia ocorrido no decorrer desses nove meses sem contato, por fim, tive pena e remorso por não ter estado próximo da pessoa que eu mais amei e ainda amarei nessa vida.

Ofereci-lhe um copo d’água e ele aceitou meio desconfiado, peguei em sua barba por fazer e em seu cabelo já sem corte e sem brilho, tinha olheiras e estava mais magro que de costume, suas roupas amassadas e seus olhos sem vida, estagnados em alguma dimensão paranóica. Senti vontade de chorar e o fiz durante vários pontos no decorrer de nossa conversa, ele não falava muito, estava decidido a me escutar. A vida não está fácil para nós e nem para ninguém, cada dia é uma luta, cada dia se gasta um pouco de coragem até para sair de casa e enfrentar os fantasmas que vivem lá fora. Fui sincero, disse-lhe que o que dói hoje ainda doerá por mais um tempo e talvez doa pela vida inteira, mas que doerá cada vez menos e em algum momento estará mais estável, entretanto, fui claro ao dizer que dependia mais dele do que de qualquer outra pessoa, que ele teria que ser forte para construir barreiras, mas não barreiras de papel como ele disse ter feito, essas caem ao menor sopro, teria que ser barreiras de concreto e aço maciço! Estou propondo tratamento de choque! Repeti três vezes para que ele se convencesse de que isso seria necessário e mesmo com o balançar negativo da cabeça e com as lágrimas que começavam a lavar o rosto, ele me disse um sim, um tão festejado ‘sim’!

Hoje acordei, escovei os dentes e passei em frente à cozinha, o café estava pronto como de costume, mas deixei para depois, precisava vê-lo o quanto antes! Corri pela sala e cheguei ao banheiro, me aproximei da pia, levantei os olhos e lá estava ele, ostentava um sorriso gostoso no rosto, assim como o brilho dos olhos, ele estava bem, estava se levantando, se estabilizando enfim. Por um momento achei que seria possível atravessar aquele espelho e abraçá-lo como nunca o abracei, dizer que de perto dele nunca mais sairei. Nunca!

gabriel.


"Hoje não sou nada! !Mas amanhã? Então não me julgues hoje, para não ter que te condenar amanhã." (Rodrigo Aragão)

Geralmente fazemos citações em finais de textos ou em seu desenvolvimento, mas creio que seja mais adequado, se tratando de palavras referidas a você, fazer a referência no começo, pois a unica referência necessária para o desenvolvimento desse mero fragmento, é a concepção que tenho de um carinha bacana aí!
Você me intriga no que diz respeito ao aqui e agora, você definitivamente os utiliza no seu dia a dia. De uma pessoa completamente indecisa, no qual se deixava levar para onde o caminho do acaso o direcionasse, passou a ser um condutor de seu próprio caminho, isso chamamos de determinação, hoje posso te falar que vejo determinação no que você diz. Pessoa de um caráter de se admirar, nada que se possa dizer a seu respeito pode abalar o seu caráter. Para alguns, você pode ser chamado de puro libido (leia-se inconsequente), mas isso todos nós somos em determinados momentos, e de forma alguma isso nos diminui. Momentos delicados nos ensinam muitas coisas sobre a vida, sobre o nosso posicionamento diante dela. Contudo, você é uma das estrelas que compõe a constelação que me guia, portanto, continue brilhando e me orientando, pois sem uma das minhas estrelas, a minha direção será o não ter direção! E por fim, farei de suas as minhas palavras:

"Meu medo é a solidão, então, aceito que você não me ame tanto, mas continue com um mínimo de sentimento por mim, ao menos lembre-se de mim, ao menos me dê um sorriso..."

.Diogo Roberto

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

ao infinito e além.


Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo, gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça.. ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. As vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

.Caio Fernando Abreu


Estrelas nascem e morrem todos os dias, outras simplesmente mudam de lugar. Permita-se.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

autofágico.




Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.

.Tati Bernardi

Aqui estou mais uma vez na minha luta diária, matando um leão ao amanhecer e um gigante todas as noites antes de dormir. Sabe, desviar pensamentos é um tanto quanto complicado, o próprio ato de tentar não pensar em algo já é pensar, já é abrir a porta e deixar entrar, deixar com que ande pela sala, sente no sofá, olhe para os quadros e por fim deixar com que derrame sorrisos pelo chão e se aposse do meu lar, e o que eu faço? Eu? Recolho cada sorriso cuidadosamente para que não se quebrem em minhas mãos e os jogo pela janela para que lá fora fiquem e junto com cada um vai uma lágrima, junto com cada um vem um aperto no peito, uma dor imensurável, afinal, verdade seja dita, te pedir para se retirar do meu lar é um tanto dolorido, pois gostaria que ficasse, sim, que ficasse! Que fizesse do meu o seu, que tomasse posse de tudo o que é seu por direito, entretanto, hoje não se trata de um ‘viveram felizes para sempre’, hoje, eu te peço que vá, pois é nisso que tento acreditar todos os dias mesmo desacreditando instantes depois, acreditar que ser dois em ‘um’ não dá mais, agora somos dois incompletos, dois!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

sorrir, sussurrar e permitir.


Acordei sem a menor dificuldade, espiei a rua em silêncio, muito limpa, as azaléias vermelhas e brancas todas floridas. Parecia que alguém tinha recém pintado o céu, de tão azul. Respirei fundo. O ar puro da cidade lavava meus pulmões por dentro. Setembro estava chegando enfim.

.Caio Fernando Abreu

terça-feira, 30 de agosto de 2011

quero futuro.



"Eu quero um punhado de estrelas maduras. Eu quero a doçura do verbo viver."


.Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

adorável psicose.



Não sei onde foram parar aquelas minhas fantasias adolescentes sobre o amor. Acho que elas foram se despedaçando e indo embora junto com cada uma das pessoas que - perdoem-me pelo clichê piegas - partiram meu coração. E o mais ridículo é que mesmo sabendo que elas não passavam de fantasias adolescentes, no fundo eu ainda espero que alguém apareça e me diga "ei, olha o que eu achei na rua, suas fantasias adolescentes; quer de volta?"


.Natalia Klein

quinta-feira, 21 de julho de 2011

entre delírios e alguns passos.


Tenho a estranha sensação de viver anos em dias. Tudo sempre passou tão depressa, sentimentos que explodem nas mãos feito faíscas e crescem de maneira repentina, expandindo e dilatando para todos os lados, tornado-se grandes faróis a cegar os olhos, mas me basta dobrar a esquina com poucos passos para que as luzes comecem a se apagar, diminuindo o brilho e por fim é como se nunca tivessem existido. As pessoas sempre apressadas, mal consigo ver nitidamente os rostos, e quando consigo me aproximar de tal forma a fim de me permitir sentir o gosto e o cheiro, quando consigo me acostumar com esses, sem perceber já gastei dois ou três passos, e tudo se desfaz em questão de segundos, me fazendo questionar até mesmo se tudo aquilo realmente existiu ou se foi mais um delírio de verão. Poderia por um fim a isso, parar de andar, me estagnar para talvez assim quem saiba poder viver dias em dias, ver os ponteiros percorrerem cuidadosamente todas as casas numéricas do relógio, viver sentimentos e pessoas de forma concreta, por inteiro, saborear cada instante e imortalizá-lo na memória. Até poderia sim fixar a palma dos pés por aqui, mas sabe, quem vive parado não faz escolhas, não traça caminhos, apenas conta com a sorte de uma vida plena, e sorte meu caro é um artefato caríssimo nesse meu reino, que de fato eu não disponho, por isso, sou caminhante e por vezes também errante, me faço e desfaço em linhas trêmulas de conhecimentos ambíguos, sou um ser pensante, cheio de dúvidas e infelizmente me restam poucas memórias.

segunda-feira, 11 de julho de 2011



Do you ever feel
Like a plastic bag
Drifting through the wind
Wanting to start again

Do you ever feel
Feel so paper-thin
Like a house of cards
One blow from caving in

Do you ever feel
Already buried deep
Six feet under
Screams but no one seems to hear a thing

Do you know that there's
Still a chance for you
‘Cause there's a spark in you
You just gotta

Ignite the light
And let it shine

amar prescinde de entendimento.


Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa. É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem - estar, e o nosso para ele. É receber uma atenção exclusiva e ofertá-la na mesma medida. Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro é que tem a chave desse cofre. O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos. Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo.
Amar prescinde de entendimento. Por isso não sei amar, porque sou viciada em entender.


.Martha Medeiros

quarta-feira, 29 de junho de 2011

às vezes se eu me distraio.


Sozinho, silêncio em casa, já é tarde. Olhando para os cantos fico tentando acertar em qual lugar você estaria se aqui estivesse, talvez ao lado da porta dos fundos, fumando um cigarro e soprando a fumaça cuidadosamente para fora, como sempre faz para que eu não enjoe com o cheiro que ficaria impregnado no cômodo, ou quem sabe sentada no meu colo tentando concentrar a minha atenção toda em você, lembra-se do carnaval? Talvez contando alguma piadinha que provavelmente eu não entenderia e que mesmo assim não perderia a graça, porque gostoso mesmo é ver seu sorriso se espalhar pela casa, subindo nos móveis e pintando as paredes.
Ah meu bem, sobra saudades por aqui, falta um abraço seu.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

luminosité.



"Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade"


.Carlos Drummond de Andrade

Podia ser só amizade, paixão, carinho,admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meu Deus? Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo; aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. Dilacerando felicidades de mentira, desconstruindo tudo o que planejei, Abrindo todas as janelas para um mundo deserto. É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, ilumina o corredor por onde passo todos os dias. É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris, pisar sobre estrelas e acordar sereno. É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito, preparar uma massa, sentir seus cílios. “Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?” Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar. Não negue, apareça. Seja forte.

.Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Um.


Você já se sentiu especial para alguém? O número um, sabe? Me faço essa pergunta todas as noites antes de dormir e sim, já me senti, não tinha como não sentir devido tamanha grandeza de gestos e ações e pasme vos digo, eu não gostava! Sim, eu não gostava de me sentir o centro do universo, era responsabilidade de mais ter alguém pensando e agindo por você a maior parte do dia, não gostaria de me sentir culpado caso isso lhe prejudicasse de alguma forma, afinal todos nós temos sonhos e metas pré-traçadas (aliás, nem todos...) e transformar os sonhos alheios em seus é um tanto arriscado, ao menos era nisso que eu acreditava, pronto, já tínhamos um ponto de partida para o fim, e assim se concluiu, fechei um círculo. Hoje, disputo atenção com pessoas e até objetos banais, e também não gosto disso, ‘e agora, José?’.

domingo, 19 de junho de 2011

reinado das flores.



Pálida e fria, simples assim, falo da Rainha Copo-de-Leite. Sim, fria, muito fria, digo aspectos físicos, claro, pois quando falamos de sentimentos e emoções traduzia-se em um coração flamejante, e seus olhos transbordavam candura. Reinava soberana sobre todas as flores do jardim psicodélico da Alameda Alcântara, não era o mais bonito, mas com certeza era o mais notável, devido suas dezenas de cores e formas, muitas espécies residiam ali, diziam ser devido a rainha, era bondosa e permitia que todas as flores recebessem a mesma quantidade diária de água, sem distinção de ‘raça e clero’, a igualdade era respeitada ali. Mas o que faltava mesmo naquele reino era um Rei, sim um grande Rei capaz de iluminar a Rainha, fortalecer aquele povo, na verdade, a rainha já tinha escolhido alguém, mas era um alguém de carne e osso, de outro reino, um jardineiro fiel que fazia do seu trabalho matinal regar as flores do jardim, como também adubar as jovens e podar as mais velhas. Ele trabalhava sem nada em troca, vez ou outra levava uma Hortência ou Orquídea, dizia ser para sua filha mais nova, pois esta gostava de enfeitar a sala de visitas, uma vez ela lhe pediu rosas vermelhas rubro, mas o jardineiro se espetou todo nos espinhos e não conseguiu levar um botão sequer, as rosas são muito violentas quando querem, lindas, mas perigosas, já dizia a Rainha Branca.
A Rainha sofria calada, mas não por amar um ser de outro reino, carne e osso já lhes disse, sofria por uma promessa feita no verão passado, foi em um dia chuvoso de tempestade, em que ventos fortes derrubavam as flores mais altas e as mais baixas eram esmagadas, pisoteadas, um caos tremendo, mas o Jacarandá, árvore grande e imponente que cresceu solitário na calçada em frente e cuja a casca era dura como rocha ofereceu seus galhos e folhas como proteção em troca de um casamento, mas não um casamento qualquer, petúnias, alfazemas e acácias não lhe interessavam, queria a Rainha Copo-de-Leite, ela como qualquer majestade disposta a se sacrificar para salvar seu povo não hesitou em aceitar a proposta sórdida.
Noivaram perante todas as flores e gramíneas do jardim, poucas árvores compareceram ao evento, pois o jacarandá não possuía muitos amigos, era notável a insatisfação da rainha e estava mais pálida que de costume, mas cumpriu sua palavra e casou-se com o jacarandá. Por algum motivo desconhecido o jardineiro não retornou mais ao jardim, e passado três meses a Rainha Branca faleceu, morreu de sede, sua vida não mais regada por mãos bondosas, não resistiu e desde então essa foi minha última notícia sobre aquele reino, aliás, ouvi rumores que uma Rainha Rosa assumiu a coroa, rumores...

sábado, 18 de junho de 2011


Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique.

.Verônica H.

Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui, no meio do peito...
mas comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.


.Maiakovski

Que um amor te aconteça
Que um amor te salve
Que um amor te cuide


.Cáh Morandi

quinta-feira, 26 de maio de 2011

para lembrar de você.



Eu olho para tudo em volta e não vejo nada, nenhum ponto qualquer de distração, é vazio, eu olho para você e não encontro os olhos que um dia prometeram me iluminar, as mãos que jurei nunca mais soltar. Reclama da minha carência, mas sabe, é necessidade de sentimento, eu me alimento disso e sou insaciável, gosto de colecionar sorrisos e abraços, sempre foi assim e realmente acho que não consigo mudar, mas por outro lado é fácil cativar quando se quer, não há sacrifício algum, o segredo está na simplicidade e intensidade do gesto, basta querer. Eu não sei muito do meu mundo, não tenho um futuro planejado, apenas alguns rascunhos de pretensões, gostaria de viajar o mundo inteiro ou pelo menos um pedacinho dele, desde de que em boa companhia, afinal compartilhar emoções é necessário, ninguém sobrevive só. O que você me diz sobre aproveitar oportunidades? Nunca sei se terá um chão sólido logo à frente ou uma mão para segurar, talvez um inferno para enfrentar, mas hoje, estou aqui.

terça-feira, 24 de maio de 2011

I just need a compass and a willing accomplice.






A vida é assim, ela te surpreende com uma pista, como um bilhetinho deixado em cima da mesa com um local e um horário, cabe a você decidir ir ou não, desvendar ou não o que existe atrás daquela porta pequenina ali a direita da escrivaninha azul anil. Cada momento é único e assustadoramente marcante, e a magia está toda concentrada em o que se fazer com os próximos segundos, viver intensamente ou deixar passar. Dificil mesmo é decobrir dez passos a frente que poderia ter sido melhor entrar pela portinha, que o caminho largo e sem obstáculos não é tão emocionante quanto se esperava, afinal, verdade seja dita, gostamos mesmo é do fervor das batalhas, aquelas que te arrancam coragem para lutar até o último décimo de segundo, até dar câimbra nos músculos.
Como faz falta uma ‘Crystal ball’.

sábado, 9 de abril de 2011

Que sorte a nossa hein?



Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me mandam são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

a cada dia uma renúncia.


Yes, she caught my eye,
As we walked on by.
She could see from my face that I was,
Flying high,
And I don't think that I'll see her again,
But we shared a moment that will last 'till the end.

You're beautiful. You're beautiful.
You're beautiful, it's true.

quinta-feira, 7 de abril de 2011




Didn't I give it all?
Tried my best
Gave you everything I had
Everything and no less
Didn't I do it right?
Did I let you down?


4c.

hoje o tempo voa amor.


Ando sem paciência para felicidades efêmeras, não me satisfazem mais. Eu prefiro amores enlouquecentes, amores que explodem nos lábios, nos pêlos da cabeça aos pés, sim, desses amores que nos dão febre, que causam insônia, que nos desmontam e montam feito um quebra-cabeça de peças perfeitamente encaixáveis. Não tenho tempo para brincadeiras de ego, para disputas de poder, amor não é isso, não é. Amor é perder-se no outro para não mais querer se encontrar, é ter humildade para olhar nos olhos e dizer o que sente, é não ter medo de revelar suas maiores fraquezas, é não precisar pedir um abraço quando se sente frio, é pensar em alguém antes mesmo de pensar em si, é sorrir bobo ao lembrar de um gesto qualquer do outro, é querer segurar uma mão e gritar para o mundo inteiro ouvir. E ainda quero mais, ah eu quero muito mais! Não tenho mais tempo, necessito de segundos intermináveis.

Perde-se tempo de mais.

domingo, 27 de março de 2011

invisíveis corações.


Sentado no banquinho de madeira velha, parecia ipê mas não sei ao certo qual das cores, talvez o amarelo, cor bonita e imponente, cor de dia ensolarado tal aquele que se desenrrolava horas a fio desde o momento em que levantara da cama para ver a vida que se extendia janela afora, janela pequena ao lado do banquinho. Seus olhos percorriam os blocos de cimento que se juntavam para fazer nascer a quase infinita Avenida Espinosa, buscava algo lá fora, talvez uma motivação qualquer para levantar todos os dias da cama, talvez alguém que fizesse seus olhos brilharem novamente, a boca secar, o corpo estremecer. Naquela tarde muitos corações pulsantes passeavam por ali, mas nenhum pulsava por ele, eram todos indiferentes aos seus olhos tristes pendurados na janela, corações apressados passavam correndo, outros tão preocupados com a aparência que só viam eles próprios refletidos nos vidros das vitrines, outros sonhadores sorriam bobos como se flutuassem ao invés de andarem, naqueles dois bem vermelhinhos era paixão que se via explodir por todo o corpo, e assim os corações iam e vinham, mas nunca paravam para lhe dizer um simples “oi” ou um “como vai você?”, era como se sua casa não existisse ou como se ele mesmo não estivesse ali parado na janela. Era em dias como esse que ele se inundava de solidão, solidão calada que entristecia o peito e marejava os olhos, queria ele percorrer as calçadas lá fora, mas faltava-lhe coragem, na verdade penso eu que lhe faltava tesão pela vida, fé nas pessoas.

Noutro dia o quarto estava vazio, a janela aberta, nenhum sinal de vida, lá fora se via alguns corações parados, perguntei-lhes o porquê de estarem parados em frente a casa, me disseram que nunca tinham reparado nela e que era a mais bonita da rua, o mais belo jardim, olhei para a casa e fiquei confuso, só vi paredes rachadas e mal pintadas, no telhado faltavam telhas e no jardim tijolos velhos e quebrados em meio a um capim ralo, eram todos loucos e insanos, pensei comigo. A maior beleza que ali habitava já não mais existia, ninguém reparou em seus olhos, em seu coração fraquinho que pulsava forte demais para sua mísera condição, ninguém, nem mesmo eu.

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos." Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 13 de março de 2011

daqueles dias.



- Não saber explicar a dor que se dilata no peito é tão cruel quanto o motivo pelo qual se sofre, é querer gritar desesperadamente por ajuda sem possuir voz para tal ato.


"Tristeza é esperar um trem que nunca irá chegar, tristeza maior é esse trem chegar de vagões vazios." Diego Mundim

sábado, 5 de março de 2011

um banquinho, dois sonhos.


Lá estava ela sentada no banquinho amarelo da pracinha em frente à padaria onde ele costumava comprar sonhos todas as tardes, ela repetia esse ritual sempre que conseguia burlar as aulas de matemática que tinha nas tardes de quinta-feira, o fazia desde o começo de dezembro quando o viu pela primeira vez, se esbarraram enquanto viravam a esquina do beco delgado que se instalava em meio às ruas largas da avenida principal, ela abaixou-se envergonhada para pegar o saquinho de sonhos que derrubara, afinal foi ela que apressada causara o incidente, tinha pressa porque havia prometido um favor a sua mãe, favor este que de fato não se lembrava ao certo, mas que havia prometido chegar mais cedo para realizar; ele a olhou atentamente enquanto ela em um ato singelo abaixou-se para ajudá-lo, seus cabelos negros e ondulados lhe cobriam o rosto, ela apressava-se a pedir desculpas, perdeu a fala ao sentir se atraída por aqueles olhos castanhos que ele tanto se orgulhava em ostentar, ele segurou-a pela cintura, não sabia o porquê de tal ato, mas era a vontade que sentia naquele momento, o silêncio não deixou que nomes fossem ditos, vergonha talvez.

Ela não era vista no banquinho amarelo, ele sempre distraído com fones de ouvido não reparava que do outro lado da rua ela o contemplava com anseios e vontades. Ao vê-lo ali tão próximo e ao mesmo tempo tão distante ela respirava fundo em pequenos intervalos, enchia os pulmões uma, duas, três, quatro vezes, tempo suficiente para que sonhos fossem comprados e ela o perdesse de vista enquanto ele caminhava pela rua larga rumo a sua casa.

Chovia quando ele avistou uma garota com as roupas molhadas sentada em um banco amarelo da pracinha, não conseguia ver o rosto, os óculos foram quebrados na noite anterior, ficou intrigado por ela estar ali imóvel enquanto um mar de água doce caia do céu, lavava as calçadas, os corações. Ele aproximou-se dela, ofereceu-lhe um lugarzinho embaixo do guarda-chuva xadrez azul comprado naquela manhã, ela sorriu com os ohos, ele a reconheceu, disse que a tinha procurado pela cidade inteira, que cruzava os dedos todas as vezes que passava por uma esquina, ela disse que o estava esperando no mesmo lugar desde então, no mesmo banco, no mesmo olhar.

Dois sonhos foram mastigados cuidadosamente naquela tarde, pedidos foram feitos.

sexta-feira, 4 de março de 2011

mãos frias, coração quente.



Ela já o conhecia, estudaram juntos, dois anos ou três, sempre o viu chegar atrasado com sua mochila laranja desbotada, era velhinha mas tinha um certo charme de objeto que de tanto ser usado se incorpora ao corpo do dono em uma perfeita simetria. Eles nunca chegaram a trocar palavras, seus olhares poucas vezes se cruzaram, ele nunca sentiu a maciez de seus cabelos lavados pela manhã, ela nunca sentiu o seu perfume depositado cuidadosamente ao redor do pescoço, nunca chegaram tão perto um do outro para que fossem possíveis tais façanhas, nunca. Ela descobriu um mundo novo longe dele, chorou e ele não estava lá, conheceu pessoas e não o conheceu, sentiu sentimentos escorrerem pela saliva de outras bocas e não da dele, ela invadiu corações, mas não o dele, ela criou histórias, fundou reinos, fez planos, marcou casamentos aos 30 anos e aos 40 também, nenhum com ele. Ele cresceu sozinho, solitário, saiu de casa para ver as cores de um mundo cinzento, encontrou lindas cores, mas não a dela, sentiu o gosto de abraços, muitos, mas o dela ele não sentiu, o abraço capaz de lhe arrancar um pedacinho do coração, ele encontrou sorrisos, olhos, vidas, mas ela não estava lá.

Fez frio, o inverno chegou. Ela caminhava apressada pela avenida iluminada, flocos de neve enfeitavam o cabelo e a blusa de lã. Ele em seu carro escutava jazz, pensava no que teria para jantar, sentia as mãos congelarem, o coração permanecia quente. Ele a avistou duas ruas a frente, lembrou-se de uma garota que nunca escutou a voz, ela usava as mesmas mechas vermelhas no cabelo tantos anos depois, desceu do carro, lhe gritou o nome, ela não parou, ele sentiu-se envergonhado, julgou que talvez sua memória o tivesse traído, tantas garotas usam mechas vermelhas no cabelo, pensou ele, não sabia ele que ela escutava melhor com o coração pois com as orelhas tinha certa dificuldade. Ele virou-se, voltava para o carro, ela por algum motivo banal olhou para trás, sorriu ao ver uma mochila laranja desbotada, não acreditou, o chamou.

Os olhos se encontraram, as mãos frias dele se misturavam as mãos quentes dela, se abraçaram, seus corpos não se conheciam, ele tocou seus cabelos, ela sentiu seu cheiro, não se beijaram, ainda era cedo. Dias depois se apaixonaram, fizeram amor e por fim se prometeram, não com palavras, mas com os olhos entrelaçados, com as mãos acariciando os rostos.

Ele prometeu nunca esquecê-la.