segunda-feira, 20 de junho de 2011

Um.


Você já se sentiu especial para alguém? O número um, sabe? Me faço essa pergunta todas as noites antes de dormir e sim, já me senti, não tinha como não sentir devido tamanha grandeza de gestos e ações e pasme vos digo, eu não gostava! Sim, eu não gostava de me sentir o centro do universo, era responsabilidade de mais ter alguém pensando e agindo por você a maior parte do dia, não gostaria de me sentir culpado caso isso lhe prejudicasse de alguma forma, afinal todos nós temos sonhos e metas pré-traçadas (aliás, nem todos...) e transformar os sonhos alheios em seus é um tanto arriscado, ao menos era nisso que eu acreditava, pronto, já tínhamos um ponto de partida para o fim, e assim se concluiu, fechei um círculo. Hoje, disputo atenção com pessoas e até objetos banais, e também não gosto disso, ‘e agora, José?’.

domingo, 19 de junho de 2011

reinado das flores.



Pálida e fria, simples assim, falo da Rainha Copo-de-Leite. Sim, fria, muito fria, digo aspectos físicos, claro, pois quando falamos de sentimentos e emoções traduzia-se em um coração flamejante, e seus olhos transbordavam candura. Reinava soberana sobre todas as flores do jardim psicodélico da Alameda Alcântara, não era o mais bonito, mas com certeza era o mais notável, devido suas dezenas de cores e formas, muitas espécies residiam ali, diziam ser devido a rainha, era bondosa e permitia que todas as flores recebessem a mesma quantidade diária de água, sem distinção de ‘raça e clero’, a igualdade era respeitada ali. Mas o que faltava mesmo naquele reino era um Rei, sim um grande Rei capaz de iluminar a Rainha, fortalecer aquele povo, na verdade, a rainha já tinha escolhido alguém, mas era um alguém de carne e osso, de outro reino, um jardineiro fiel que fazia do seu trabalho matinal regar as flores do jardim, como também adubar as jovens e podar as mais velhas. Ele trabalhava sem nada em troca, vez ou outra levava uma Hortência ou Orquídea, dizia ser para sua filha mais nova, pois esta gostava de enfeitar a sala de visitas, uma vez ela lhe pediu rosas vermelhas rubro, mas o jardineiro se espetou todo nos espinhos e não conseguiu levar um botão sequer, as rosas são muito violentas quando querem, lindas, mas perigosas, já dizia a Rainha Branca.
A Rainha sofria calada, mas não por amar um ser de outro reino, carne e osso já lhes disse, sofria por uma promessa feita no verão passado, foi em um dia chuvoso de tempestade, em que ventos fortes derrubavam as flores mais altas e as mais baixas eram esmagadas, pisoteadas, um caos tremendo, mas o Jacarandá, árvore grande e imponente que cresceu solitário na calçada em frente e cuja a casca era dura como rocha ofereceu seus galhos e folhas como proteção em troca de um casamento, mas não um casamento qualquer, petúnias, alfazemas e acácias não lhe interessavam, queria a Rainha Copo-de-Leite, ela como qualquer majestade disposta a se sacrificar para salvar seu povo não hesitou em aceitar a proposta sórdida.
Noivaram perante todas as flores e gramíneas do jardim, poucas árvores compareceram ao evento, pois o jacarandá não possuía muitos amigos, era notável a insatisfação da rainha e estava mais pálida que de costume, mas cumpriu sua palavra e casou-se com o jacarandá. Por algum motivo desconhecido o jardineiro não retornou mais ao jardim, e passado três meses a Rainha Branca faleceu, morreu de sede, sua vida não mais regada por mãos bondosas, não resistiu e desde então essa foi minha última notícia sobre aquele reino, aliás, ouvi rumores que uma Rainha Rosa assumiu a coroa, rumores...

sábado, 18 de junho de 2011


Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique.

.Verônica H.

Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui, no meio do peito...
mas comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.


.Maiakovski

Que um amor te aconteça
Que um amor te salve
Que um amor te cuide


.Cáh Morandi

quinta-feira, 26 de maio de 2011

para lembrar de você.



Eu olho para tudo em volta e não vejo nada, nenhum ponto qualquer de distração, é vazio, eu olho para você e não encontro os olhos que um dia prometeram me iluminar, as mãos que jurei nunca mais soltar. Reclama da minha carência, mas sabe, é necessidade de sentimento, eu me alimento disso e sou insaciável, gosto de colecionar sorrisos e abraços, sempre foi assim e realmente acho que não consigo mudar, mas por outro lado é fácil cativar quando se quer, não há sacrifício algum, o segredo está na simplicidade e intensidade do gesto, basta querer. Eu não sei muito do meu mundo, não tenho um futuro planejado, apenas alguns rascunhos de pretensões, gostaria de viajar o mundo inteiro ou pelo menos um pedacinho dele, desde de que em boa companhia, afinal compartilhar emoções é necessário, ninguém sobrevive só. O que você me diz sobre aproveitar oportunidades? Nunca sei se terá um chão sólido logo à frente ou uma mão para segurar, talvez um inferno para enfrentar, mas hoje, estou aqui.

terça-feira, 24 de maio de 2011

I just need a compass and a willing accomplice.






A vida é assim, ela te surpreende com uma pista, como um bilhetinho deixado em cima da mesa com um local e um horário, cabe a você decidir ir ou não, desvendar ou não o que existe atrás daquela porta pequenina ali a direita da escrivaninha azul anil. Cada momento é único e assustadoramente marcante, e a magia está toda concentrada em o que se fazer com os próximos segundos, viver intensamente ou deixar passar. Dificil mesmo é decobrir dez passos a frente que poderia ter sido melhor entrar pela portinha, que o caminho largo e sem obstáculos não é tão emocionante quanto se esperava, afinal, verdade seja dita, gostamos mesmo é do fervor das batalhas, aquelas que te arrancam coragem para lutar até o último décimo de segundo, até dar câimbra nos músculos.
Como faz falta uma ‘Crystal ball’.