domingo, 22 de janeiro de 2012

inteiro.


Viver cem dias e mil noites sem aquela velha preocupação do “vai dar certo?”, apenas apreciar a beleza do gesto, o desejo na ponta dos dedos e o convite no olhar. Cabelos bagunçados aos sete ventos, banhos de chuva para lavar as calçadas e os corações, banhos de sol para corar a pele e os lábios, risos metamorfoseados e incandescentes em todos os becos e ruazinhas do nosso paraíso perdido. Pedaços de vida que se encontraram e se perderam em meio a espirais de luzes em uma terra desconhecida, mas sorte de quem tem uma estrela para seguir e ao porto retornar, retomar o espetáculo gracioso de futuro sonhado, brindar os passos não coreografados da nossa perfeita simetria. Duas metades, inteiro somos meu amor.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

sou.


O seu ser no meu sou soou bonito e fez o coração mesmo aflito corar
De um vermelho da cor do teu beijo escondido nas escadas do edifício
O vento descansa pra não misturar teu cabelo liso com meu juízo friso
Mas o soprinho da lembrança entrando pela sala encaracola minha memória

Ainda sou porque o seu sou me encontrou e é possível que juntos sejamos
Em qualquer parte há sempre a parte que nos cabe no destino de alguém
Cada um na sua estrada faz a caminhada pertencer ao mesmo caminho
Que se expandirá no meio da jornada, é pertinho e pode ir além.

.C Farias

domingo, 20 de novembro de 2011

o quanto você vale.


Já posso sentir os raios de sol a esquentar meu rosto, queimando a pele e me fazendo suar, posso sentir a brisa do mar soprando contra o meu corpo, posso ver as gramíneas verdinhas que cresceram próximo as rochas cheias de musgos e sal, posso ver tudo o que existe aqui fora. Vejo pessoas indo e vindo, passando por mim sorridentes ou não, vejo as cores em seus olhos, em suas bocas, mãos e cabelos, é muita informação para tão pouco tempo, estou nascendo novamente, é tudo tão diferente do que era a alguns dias atrás, meses talvez.

- É muito bom estar aqui fora.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Oi?


- Aqui, do agora, ter ou ser?

- Ter e ser!

- Do querer sem crer, encontrar um ser.

- O quê?

- Um ser!

- Do medo recorrente, um ser agora, pra quê?

- Do querer mais tarde, tempo não ter.

- Mentira!

- Tá, do querer agora, faltar interesse.

- Da brincadeira adiada, faltar o que mais?

- Faltar brilho, faltar novos velhos olhos.

- Da saudade anunciada, faltar o que mais?

- Da saudade encerrada, faltar bochechas rosadas.

- Da mentira começada, não querer mais?

-Não, da dor explorada, não querer mais.

- Do perder, culpa tomar metade do ser, pra quê?

- Do sofrer, precisa um culpado ter.

- Acabou, o que vem a proceder?

- Não saber, deixar correr.

- É seu dever saber!

- Do começo sem fim, do início abortado, dos sorrisos ganhados, uma hora há de ser!

- É, pode crer.

domingo, 16 de outubro de 2011

correu, correu.


- ‘Bom Dia, Bom Dia!’ (com os olhos cansados e aquele sorriso largo estampado)

Sempre achei bonitinha sua mania de repetição, desde o ‘sim, sim’ ao ‘oi, oi’, me lembrava algo infantil, como aquelas crianças que fazem a mesma pergunta centenas de vezes e você não se importa de responder, simplesmente porque o encanto por aquele ser pequeno que está à sua frente é muito maior do que qualquer falta de tempo do dia a dia.

- ‘Não Mais, Não Mais!’ (com o pensamento longe e olhos marejados)

Considerava os seus relacionamentos os mais conturbados possíveis. Amou como um relâmpago, dividindo todo um céu, toda uma vida ao meio, caiu, chorou, não quis mais. Correu, correu, dançou, beijou, transou, brincou e até partiu alguns corações por aí. Apaixonou-se, oi? Sim! Tentou correr, mas não tinha para onde, deixou-se amar, tentou, tentou, não deu, fez alguém chorar. Viveu, viveu, carimbou camas, um ser faminto, ditava regras e não seguia nenhuma sequer, sorriu vazio, cansou das festas, ao acaso encontrou. Encantou-se, desanimou, manteve certo interesse, voltou, apaixonou-se e amou, amou pouco, terminou, amou muito, chorou, chorou, até tentou, emagreceu e ultrapassou todas as regras internas, acreditou em algo maior, perdeu, falhou. Viu-se no espelho, sorriu, não quis chorar, ‘não mais’, quer amar, amar com todas as conseqüências que possam vir. Considerava justa toda forma de amor.

-‘Acordou.’

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

contabilizando erros.


Aqui estou mais uma vez vasculhando a memória, procurando meus momentos de falha, de pobreza de espírito, fraqueza, e olha, não foram poucos! Contabilizo cada um em uma espécie de cardeneta mental onde o título diz “Não Mais”, e a guardei bem pertinho do famoso juízo, pois espero que esse me ajude a não esquecê-la em qualquer mesinha por aí, afinal sou muito esquecido e repito isso todos os dias ao perceber minhas perdas, desde chaves e canetas à pessoas!

-Ah, como sou esquecido.

E o que me sobrou?
Me sobrou tanta coisa, tantas memórias, tantos sorrisos, blusas de frio perfumadas, um porta-retrato com uma foto congelada, sobrou seus olhos, cabelo, mãos, boca, sobrou você aqui em mim, sobrou sentimento nesse quarto. Me faltou tão pouco, era tão pouquinho o que faltava, mas tão grande em significância, era consideração, companheirismo, amizade... um pouquinho mais de cada um, poucas gotas talvez. Ah como dói, ah como me desidrata os olhos. Me pergunto onde erramos, onde soltei sua mão, vasculho a memória para achar o momento exato em que deixei seus dedos escorregarem, ah seu eu pudesse, ah seu eu pudesse segurar firme, ah se eu pudesse não me machucar com suas palavras, ah se eu pudesse não me magoar a cada gesto impensado seu. E agora o respeito se quebra em inúmeros pedaços como se fosse um espelho qualquer, de um banheiro qualquer; chega de ofensas meu amor, não precisamos delas, foi lindo. Agora vamos descansar, vamos nos poupar, posso ficar aqui até você conseguir dormir?

Cuidarei dos meus sonhos, cuide dos seus também.